48. Reflexão sobre a retribuição de gentilezas

Por Nathan, Coreia do Sul

Em 2022, recebi uma carta da igreja da minha cidade natal, pedindo uma avaliação de uma das irmãs, Zhang Hua. A carta dizia que ela estava interrompendo a vida da igreja, colocando pessoas umas contra as outras e reunindo apoiadores. Os líderes tentaram comunicar várias vezes em vão, e ela contra-atacou apontando as falhas dos líderes. A igreja estava preparando as informações necessárias para expulsar Zhang Hua e pediu que eu escrevesse uma avaliação sobre ela. Quando vi a carta, percebi que, dessa vez, Zhang Hua provavelmente seria expulsa, pois ela tinha sido persistente nesse tipo de comportamento e não tinha mudado. Era uma condição muito séria. Quando imaginei a expulsão de Zhang Hua, eu não me senti muito confortável. Ela tinha me promovido no passado e sempre tentou cuidar de mim. Se ela soubesse que eu tinha exposto seus atos malignos, o que ela pensaria de mim? Ela diria que eu era ingrato e desalmado? Pensando nisso, eu quis evitar o assunto. Por acaso, eu estava fazendo outro trabalho e deixei isso de lado por alguns dias.

O problema ficou me incomodando. Lembrei-me de algo de dez anos atrás. Na época, Zhang Hua era a líder da igreja e tinha me promovido a fazer trabalho de texto para que eu pudesse obter mais prática. Mais tarde, fui promovido repetidas vezes e fui desempenhar meu dever fora da cidade. Achei que ser capaz de continuar o trabalho de texto tinha a ver com o fato de ela ter me promovido tantos anos antes. Lembrei-me da comunhão, ajuda e apoio que ela tinha fornecido durante os anos dela como líder. Nós nos dávamos bem e ela cuidava bem de nós no dia a dia. Ela não só arranjou casas melhores para nos acolher, mas quando estávamos sem roupas ou precisávamos de algo, ela mandava levar para nós imediatamente. Uma vez, ela organizou uma reunião para nós. Quando soube que eu tinha uma doença no fígado, ela contatou um irmão que praticava medicina e conseguiu uma dezena de frascos de remédio para o fígado de graça. Aquilo me comoveu muito. Com exceção da minha família, ninguém demonstrou tanta preocupação por minha doença. Eu sempre achei que ela me apreciava e valorizava e eu era eternamente grato por isso. Por isso, foi muito difícil quando pediram que eu avaliasse Zhang Hua, pois eu sabia que a lista de atos malignos dela era longa. Se fossem expostos, resultariam na expulsão dela. Por exemplo, em seu dever como líder, ela era negligente e imprudente e prejudicou severamente o trabalho da igreja. Após ser dispensada como líder, ela foi pregar o evangelho, mas começou a seguir anticristos, julgando e atacando os líderes como falsos líderes em sua luta por liderança. Como resultado, líderes e obreiros não conseguiram desempenhar o dever deles e o trabalho da igreja foi severamente perturbado. A irmã dela era uma pessoa maligna, e quando foi expulsa, Zhang Hua não gostou e a defendeu, espalhando noções. E assim por diante. Eu não pude evitar imaginar por que Zhang Hua sempre apoiava as pessoas erradas. Então eu me lembrei da palavra de Deus: “Muitos na igreja não têm discernimento. Quando alguém tenta desorientar os outros, eles, contrariamente, ficam do lado de Satanás; até se sentem extremamente injustiçados ao ser chamados de servos de Satanás. Embora as pessoas possam dizer que eles não têm discernimento, eles sempre ficam do lado da não verdade, nunca ficam do lado da verdade no momento crítico, nunca se levantam e argumentam em prol da verdade. Eles carecem verdadeiramente de discernimento? Por que eles, contrariamente, tomam o lado de Satanás? Por que nunca dizem uma palavra que seja justa e razoável em prol da verdade? Essa situação surgiu genuinamente como resultado de sua confusão momentânea? Quanto menos discernimento as pessoas têm, menos são capazes de ficar do lado da verdade. O que isso mostra? Não mostra que as pessoas sem discernimento amam o pecado? Não mostra que elas são a cria leal de Satanás? Por que é que elas são sempre capazes de ficar do lado de Satanás e falar a língua dele? Cada palavra e ato delas, as expressões em seu rosto, todos são suficientes para provar que elas não são um tipo de amante da verdade; antes, são pessoas que detestam a verdade. O fato de que podem ficar do lado de Satanás é suficiente para provar que Satanás realmente ama esses diabos menores que passam a vida lutando pela causa de Satanás. Todos esses fatos não são perfeitamente claros?(A Palavra, vol. 1: A aparição e a obra de Deus, “Um alerta para aqueles que não praticam a verdade”). Por meio da revelação da palavra de Deus e comparando-a com os atos malignos passados de Zhang Hua e seu comportamento atual, vi que ela sempre ficava do lado de Satanás, perturbando o trabalho da igreja. Entendi que ela era, de fato, uma serva de Satanás, uma pessoa maligna que interrompe e perturba o trabalho da igreja. Se eu expusesse todos os atos e comportamentos malignos de Zhang Hua, então, de acordo com os princípios da igreja, ela certamente seria removida. Então, ela não teria mais papel na casa de Deus e nenhuma chance de ser salva. Ela era de meia-idade e não tinha fundado uma família. Se ela fosse expulsa, para onde ela iria? Quando pensei no cuidado e na promoção que ela tinha me dado, fiquei dividido. Se eu a expusesse, ela provavelmente seria expulsa pelo comportamento ruim dela. Se não a expusesse, eu não estaria protegendo o trabalho da igreja nem sendo leal a Deus. Refletindo sobre isso, encontrei um meio-termo. Anos tinham se passado, e minha memória não era mais tão boa. Eu já tinha esquecido muitos detalhes, portanto, não valia a pena me esforçar demais para me lembrar deles. Eu só anotaria alguns mais óbvios e encerraria o expediente. Quando isso me ocorreu, senti certa repreensão no meu coração. Isso não era engano e trapaça? Agora estamos no estágio final de revelação na obra de Deus, quando as pessoas são classificadas de acordo com seu tipo. Só quando pessoas malignas, anticristos, descrentes e espíritos malignos forem removidos, a igreja será purificada e capaz de executar seu trabalho sem problemas. Eu sabia que Zhang Hua era maligna, mas eu não queria expô-la. Eu queria abrigá-la, protegê-la. Isso seria ficar do lado de Satanás e resistir a Deus. Quando percebi isso, fiquei com medo. Fiz um esforço para me lembrar de todas as ações dela e as anotei para o líder.

Depois de enviar tudo, me senti mais à vontade, mas um resto de tristeza permaneceu. Se um dia eu voltasse para a minha cidade e Zhang Hua soubesse que eu tinha exposto seus atos malignos, ela diria que eu não tinha afeto e que eu era ingrato? Por dias, quando pensava nisso, eu achava que tinha feito algo errado. Eu ficava ponderando: eu sabia que expor e denunciar pessoas malignas está alinhado com a intenção de Deus e que é o dever de todo o povo escolhido de Deus. Por que, então, eu estava tão triste e resistia a expô-la? Por que eu achava que lhe devia algo? Ao refletir, eu me lembrei de que, quando Deus dissecou vários ditados sobre a conduta moral, Ele falou do tema de retribuir gentilezas, então comecei a ler a palavra de Deus. As palavras de Deus dizem: “A ideia de que ‘uma gentileza recebida deve ser retribuída com gratidão’ é um dos critérios clássicos na cultura tradicional chinesa para julgar se a conduta moral de uma pessoa é boa ou ruim. Ao avaliar se a humanidade de alguém é boa ou ruim e como é sua conduta moral, uma das referências é se ele retribui os favores ou a ajuda que recebeu — se ele é ou não alguém que retribui com gratidão a gentileza que recebe. Dentro da cultura tradicional chinesa, e até mesmo dentro da cultura tradicional da humanidade, as pessoas tratam isso como um padrão importante para avaliar a conduta moral de uma pessoa. Se alguém não sabe retribuir com gratidão a gentileza que recebe, ele será visto como uma pessoa ingrata, como alguém desprovido de consciência e indigno de convivência, que deveria ser desprezado, detestado e rejeitado por todos. Ao passo que, se alguém sabe retribuir com gratidão a gentileza que recebe — ou seja, depois de receber favores ou ajuda de outra pessoa, não é ingrato e faz tudo o que pode para retribuir para essa pessoa —, então ele é visto como uma pessoa que tem consciência e humanidade. Se alguém recebe favores ou ajuda de outra pessoa, mas não sabe retribuir a gentileza dela, ou apenas expressa sua gratidão com um simples ‘obrigado’, e nada mais, a pessoa que lhe mostrou gentileza não se sentirá incomodada no coração? Ela não pensará: ‘Aquele cara não merece ser ajudado, ele não presta. Eu o ajudei tanto, mas ele nem se importou em me retribuir. Ele realmente não tem consciência nem humanidade, e não é digno de convivência’? Caso se deparasse com esse tipo de pessoa novamente, ela a ajudaria outra vez? Provavelmente, ela não ia querer. Com a sua experiência anterior, ela teria aprendido uma lição: ‘Não posso ajudar qualquer um — eles têm que saber retribuir com gratidão a gentileza que recebem. Se forem do tipo ingrato que não me retribuirá pela ajuda que lhes dei, então é melhor eu não ajudá-los’. Se vocês se depararem com esse tipo de situação, essa não será a visão de vocês? (Sim.)” (A Palavra, vol. 6: Sobre a busca da verdade, “O que significa buscar a verdade (7)”). Depois de ler a palavra de Deus, descobri a razão pela qual eu estava tão triste e achava que eu devia algo a ela. Eu tinha sido desorientado e envenenado pelo ditado de retribuir gentilezas. Da infância à idade adulta, quando meus pais, anciãos ou moradores do vilarejo conversavam, a frase “retribuir gentilezas” aparecia com frequência nas conversas deles. Quando ouviam que alguém que tinha recebido ajuda retribuiu o favor mais tarde, eles elogiavam essa pessoa e diziam que ela era boa, que tinha consciência e que valia a pena ser amigo dela. Eles admiravam e respeitavam tais pessoas e as cumprimentavam felizes quando as viam. Mas quando alguém não retribuía um favor, eles não queriam se associar a ele. Em particular, eles rotulavam essas pessoas como ingratas, sem consciência e humanidade, e não as cumprimentavam. Imerso no meu ambiente da infância, eu sempre tentava me conduzir de acordo com a ideia de retribuir gentilezas. Eu tinha que me lembrar de todos que tinham ajudado a mim ou a minha família e retribuir o quanto antes. Se não fosse possível na hora, eu tinha que esperar e retribuir mais tarde, quando pudesse. Parecia que me conduzir desse jeito era algo nobre, consciencioso e íntegro, e assim eu conquistava o favor das pessoas que me cercavam. Mas, quanto a Zhang Hua, eu sentia que não tinha retribuído toda a promoção, preocupação e ajuda dela e eu até tinha exposto seus atos malignos. Minha consciência pesava e eu me sentia ingrato. Essas ideias ainda me controlavam tanto que, embora eu soubesse que pessoas malignas e descrentes só podem interromper o trabalho da igreja e os deveres dos irmãos, eu não estava disposto a expor os atos malignos dela. Eu fui muito desorientado e restringido pelo conceito da retribuição de gentilezas.

Naquele momento, li mais da palavra de Deus que dizia: “Ditados sobre conduta moral, como ‘uma gentileza recebida deve ser retribuída com gratidão’, não dizem às pessoas exatamente quais responsabilidades elas devem cumprir dentro da sociedade humana. Em vez disso, exigem que as pessoas ajam e pratiquem de acordo com esses ditados, em quaisquer circunstâncias. Tais histórias têm sido transmitidas desde a China antiga. Por exemplo, um garoto mendigo faminto foi acolhido por uma família que o alimentou, vestiu e treinou em artes marciais, e ensinou-lhe todo tipo de conhecimento. A família esperou até ele crescer e então começou a usá-lo como fonte de renda, enviando-o para cometer o mal, matar pessoas e fazer coisas que ele não queria fazer. Se você analisar isso à luz de todos os favores que ele recebeu, o que aconteceu com ele foi uma coisa boa. Mas se você considerar o que ele foi forçado a fazer depois, isso foi realmente bom ou ruim? (Foi ruim.) Mas, sob o condicionamento da cultura tradicional, como ‘uma gentileza recebida deve ser retribuída com gratidão’, as pessoas não conseguem fazer essa distinção. Por fora, parece que o garoto não teve escolha senão fazer coisas malignas e magoar pessoas, tornar-se um assassino — coisas que a maioria das pessoas não desejaria fazer. Mas o fato de ele ter feito essas coisas más e de ter matado a mando de seu mestre não veio, lá no fundo, de um desejo de retribuir a gentileza deste? Especialmente devido ao condicionamento da cultura tradicional chinesa, tal como ‘uma gentileza recebida deve ser retribuída com gratidão’, as pessoas não conseguem deixar de ser influenciadas e controladas por essas ideias. Seu jeito de agir e as intenções e motivações por trás de suas ações certamente são constrangidos por elas. Quando essa família o instigou a fazer o mal, qual foi seu primeiro pensamento? ‘Essa família me salvou e me mostrou gentileza. Devo retribuir a gentileza deles. Como devo minha vida a eles, devo dedicá-la a eles. Eu deveria fazer tudo o que me pedirem; mesmo que me peçam para fazer o mal e matar pessoas, não posso considerar se está certo ou errado, devo apenas focar retribuir a gentileza deles. Eu ainda seria digno de ser chamado de humano se não retribuísse uma gentileza tão grande?’ Assim, a fim de retribuir a gentileza deles, ele fazia tudo o que lhe pediram sem pensar duas vezes, mesmo que lhe pedissem para matar pessoas e fazer coisas ruins. Apenas para retribuir a gentileza deles, ele agiu resolutamente sem qualquer hesitação, não tendo nenhuma dúvida. Então, que ponto de vista governou o comportamento e as manifestações em que ele se engajou para retribuir a gentileza deles? Ele não estava cumprindo esse critério de conduta moral? (Sim.) O que esse exemplo lhes mostra? O ditado ‘uma gentileza recebida deve ser retribuída com gratidão’ é uma coisa boa ou não? (Não é, não há princípios nisso.) Na verdade, o menino tinha, sim, um princípio, e era este: ‘Uma gentileza recebida deve ser retribuída com gratidão. Se alguém lhe faz uma gentileza, você deve lhe fazer uma em troca. Se não consegue fazer isso, você não é humano, e não há nada que poderá dizer se for condenado por isso. Diz o ditado: “a gentileza de uma gota d’água deve ser retribuída com uma fonte jorrante”, tudo a ver com a minha situação — o que eu recebi não era uma pequena gentileza, mas uma gentileza que salvou a minha vida. Eu deveria, ainda mais, retribuí-la com a minha vida’. Ele não sabia quais eram os limites ou os princípios para retribuir uma gentileza. Ele acreditava que sua vida tinha sido dada a ele por essa família, por isso ele tinha que se dedicar a ela em troca e fazer tudo que ela exigia dele, incluindo assassinatos e atos malignos. Esse jeito de retribuir gentileza não tem princípios nem limites. Ele serviu como cúmplice de malfeitores e arruinou a si mesmo no processo. Foi correto da parte dele retribuir gentileza desse jeito? É claro que não. Foi um jeito tolo de fazer as coisas(A Palavra, vol. 6: Sobre a busca da verdade, “O que significa buscar a verdade (7)”). Por meio do exemplo de Deus do mendigo que retribui uma gentileza, vi que a cultura tradicional de retribuir gentilezas é uma falácia satânica com a intenção de nos envenenar. A ideia de retribuir gentilezas não só constrange nossa alma, mas também distorce nossos pensamentos. Ela transforma ajuda comum entre pessoas em dívida de gratidão que não pode ser esquecida e precisa ser quitada para que você não seja rotulado como pessoa sem consciência e humanidade. Quantas pessoas perderam contato com a conduta pessoal adequada por causa dessa cultura tradicional desorientadora e venenosa! Não importa quem lhe faça um favor, mesmo que seja uma pessoa maligna ou alguém com segundas intenções, aquele que recebe o benefício precisa retribuí-lo com todo o seu ser, até com um assassinato e outros males. E assim percebi que a falácia de retribuir gentilezas realmente envenena pessoas. Quando pensei em como Zhang Hua atacou os líderes e os obreiros e interrompeu o trabalho da igreja, eu soube que o objetivo do líder ao pedir uma avaliação era entender claramente como Zhang Hua costumava se comportar para julgar se deveria expulsá-la ou não. Mas sob a desorientação e a influência de “retribuir gentilezas”, era só eu pensar em como Zhang Hua me promoveu e cuidou de mim, em todos os favores dela, para eu querer encobrir os atos malignos dela. Eu estava confuso demais para ver a diferença entre o bem e o mal, entre o preto e o branco! A essa altura, eu consegui discernir algumas coisas sobre a ideia de retribuir gentilezas. Eu consegui ver que não era uma coisa positiva, mas uma falácia que Satanás usa para desorientar e corromper as pessoas. Eu sabia que não devia viver segundo isso, que não devia tomá-lo como princípio de conduta pessoal.

Mais tarde, li mais da palavra de Deus que dizia: “O conceito da cultura tradicional de que ‘uma gentileza recebida deve ser retribuída com gratidão’ precisa ser discernido. A parte mais importante é a palavra ‘gentileza’ — como vocês deveriam ver essa gentileza? A que aspecto e natureza de gentileza ela se refere? Qual é a significância de retribuir com gratidão essa gentileza? As pessoas precisam descobrir as respostas a essas perguntas e, sob circunstância alguma, devem ser constrangidas por essa ideia de retribuir gentileza — para qualquer um que busca a verdade, isso é absolutamente essencial. O que é ‘gentileza’ de acordo com as noções humanas? Num nível inferior, gentileza é quando alguém ajuda você quando você está encrencado. Por exemplo, quando alguém lhe dá uma tigela de arroz quando você está morrendo de fome, ou uma garrafa de água quando você está morrendo de sede, ou quando ele ajuda você a se levantar quando você cai e não consegue se levantar. Todas essas são gentilezas. Uma grande gentileza refere-se a uma gentileza que salva uma vida, ou a gentileza de resgatar alguém. Por exemplo, quando você se depara com alguma calamidade e alguém o salva, ajudando-o a passar por ela, ou quando você está em perigo mortal e alguém o ajuda, evitando, assim, a sua morte — essas são algumas das coisas que as pessoas percebem como grandes gentilezas. Aos olhos das pessoas, esse tipo de gentileza supera qualquer pequeno favor material — é uma gentileza grande que não pode ser medida em termos de dinheiro ou coisas materiais. Aqueles que a recebem sentem um tipo de gratidão que é impossível de expressar com apenas algumas palavras de agradecimento. No entanto, é exato que as pessoas avaliem a gentileza desse jeito? (Não é.) Por que você diz que não é exato? (Porque essa medida se baseia nos padrões da cultura tradicional.) Essa é uma resposta baseada em teoria e doutrina, e, embora pareça ser correta, ela não chega ao âmago da questão. Como, então, podemos explicar isso em termos práticos? Pensem com cuidado. Um tempo atrás, havia um vídeo na internet no qual um homem deixa cair a carteira sem perceber. Um cachorro pequeno que estava por perto vê isso, pega a carteira e corre atrás dele. O homem pensa, erroneamente, que o cachorro roubou sua carteira e bate nele. Absurdo, não é? O homem tem menos moral do que o cachorro! As ações do cachorro estavam completamente de acordo com os padrões humanos de moralidade. Um humano teria exclamado: ‘Você deixou cair sua carteira!’. Mas, já que o cachorro não podia falar, ele pegou a carteira em silêncio e correu atrás do homem. Então, se um cachorro consegue mostrar os bons comportamentos encorajados pela cultura tradicional, o que isso diz sobre os humanos? Os humanos nascem com consciência e razão, portanto são ainda mais capazes de fazer essas coisas. Contanto que alguém tenha o senso de sua consciência, ele consegue cumprir esses tipos de responsabilidades e obrigações. Não é necessário esforçar-se muito nem pagar um preço, isso exige um pouco de esforço e é simplesmente uma questão de fazer algo útil, algo benéfico para os outros. Mas será que a natureza desse ato realmente se qualifica como ‘gentileza’? Chega a alcançar o nível de um ato de gentileza? (Não.) Já que não, as pessoas precisam falar sobre o retribuir? Isso seria desnecessário(A Palavra, vol. 6: Sobre a busca da verdade, “O que significa buscar a verdade (7)”). Quando ponderei a Sua palavra, meu coração foi esclarecido. Deus diz: “A parte mais importante é a palavra ‘gentileza’ — como vocês deveriam ver essa gentileza?”. Assim que eu conseguisse descobrir como entender “gentileza”, eu veria a verdade e não mais seria desorientado nem constrangido por ela. Então eu a ponderei. Eu acreditava que Zhang Hua tinha demonstrado gentileza de duas formas. Em primeiro lugar, ela me promoveu. Em segundo lugar, ela fez um irmão me dar remédios enquanto ela era líder. Agora, tudo isso era realmente uma gentileza? Na verdade, quando alguém adoece ou enfrenta alguma dificuldade, oferecer ajuda para fornecer algum alívio é comportamento normal — é uma responsabilidade e é senso comum. Qualquer um que tem consciência e razão pode alcançar isso, e dificilmente constitui uma gentileza especial que precisa ser retribuída. Mas eu me comovi com isso e o rotulei como gentileza especial que devia ser retribuída e até tentei mantê-la na igreja encobrindo seus atos malignos. Ao retribuir a gentileza dela dessa forma, eu não estava sacrificando os interesses da igreja pelos meus? Eu estava totalmente confuso! Também me perguntei se a promoção por Zhang Hua contava como gentileza especial. Lembrei-me disto nas palavras de Deus: “Vocês precisam ter clareza sobre o fato de que, independentemente do momento ou em que estágio Deus esteja realizando Sua obra, Ele sempre precisa de uma porção de pessoas para cooperar com Ele. Essas pessoas cooperarem com a obra de Deus ou fazerem a parte delas em espalhar o evangelho é algo preordenado por Ele. […] Nenhum de vocês está desempenhando o dever na casa de Deus neste momento apenas por acaso — seja lá de que contexto qualquer um de vocês tenha vindo para desempenhar seu dever, não foi por acaso. Nenhuma das pessoas que desempenham deveres na casa de Deus foi selecionada aleatoriamente por outra pessoa; seja lá qual for o dever que uma pessoa desempenha, isso foi preordenado por Deus antes das eras. O que significa dizer que isso foi preordenado? O quê, especificamente? Significa que, em todo o Seu plano de gerenciamento, muito tempo atrás, Deus planejou quantas vezes você viria para o mundo, de que linhagem e de que família você nasceria durante os últimos dias, quais seriam as circunstâncias dessa família, se você seria homem ou mulher, quais seriam seus pontos fortes, qual seria seu nível de educação, quão articulado seria, quais seriam o seu calibre, sua aparência, com que idade você viria à casa de Deus e começaria a desempenhar seu dever, e qual dever você cumpriria em que momento. Deus preordenou cada passo para você muito antes. Antes de você nascer e quando você veio ao mundo nas suas últimas várias vidas, Deus já havia arranjado para você o dever que você desempenharia neste estágio final da obra(A Palavra, vol. 3: Os discursos de Cristo dos últimos dias, “Parte 3”). Quanto mais eu ponderava as palavras de Deus, mais claras as coisas ficavam. Podia parecer que eu exercia o trabalho de texto por conta da promoção de Zhang Hua, mas, na realidade, Deus é Aquele que tem soberania sobre tudo e arranja tudo. Foi Ele quem, aos poucos, me levou a essa função. Se a casa de Deus não tivesse tido esse trabalho, eu não poderia ter desempenhado esse dever. Tudo isso não tinha acontecido como resultado da obra de Deus? Eu deveria ter sido grato a Deus, mas eu tinha visto Zhang Hua como fonte desse favor e quis retribuí-lo. Eu não conseguia ver a graça de Deus, só a gentileza do homem. Eu era realmente cego, ignorante, insensato e tolo. O dever de Zhang Hua como líder de igreja era cultivar e promover pessoas de acordo com as necessidades do trabalho da casa de Deus. Eu deveria ter agradecido a Deus, em vez de atribuir essa gentileza a outra pessoa. Quando entendi isso, senti um alívio. A gratidão que eu tinha sentido por ela por mais de dez anos, a gratidão que tinha sentido por ela me apreciar e meu desejo de retribuir a ela desapareceram. Não me senti mais endividado nem arrependido por expor seus atos malignos. A culpa por ser ingrato também desapareceu e não havia mais nenhuma questão de gentileza entre nós. É como Deus diz: “Para Mim, esse ditado sobre retribuir gentileza simplesmente não se sustenta. Não se pode dizer que retribuir gentileza está totalmente errado; você só precisa considerar isso como uma obrigação e uma responsabilidade. Isso também é um instinto da consciência da humanidade da pessoa. Se alguém verdadeiramente lhe mostra gentileza e é uma pessoa boa, então, quando essa pessoa tiver dificuldades, você deverá cumprir sua responsabilidade e sua obrigação e ajudá-la da melhor forma possível. Isso basta(A Palavra, vol. 6: Sobre a busca da verdade, “O que significa buscar a verdade (7)”). A palavra de Deus me libertou da escravidão da ideia de retribuir gentilezas e corrigiu minha perspectiva sobre essas questões. Sou muito grato a Ele.

Em todo caso, eu achava que o assunto estava resolvido. Mas pouco depois a igreja da minha cidade natal me escreveu de novo, pedindo que eu registrasse claramente a conduta de Zhang Hua e anotasse as datas e os locais em que tudo aconteceu, quando ela tinha defendido anticristos e pessoas malignas e tinha seguido anticristos para cometer o mal. Sem tais evidências, seria impossível caracterizá-la e expulsá-la. Depois de receber a carta, fiquei um pouco incomodado. Se eu escrevesse isso, Zhang Hua certamente seria expulsa. Ela tinha sido tão boa comigo, e se eu fizesse isso, eu não… Mas logo percebi que o princípio satânico de retribuir gentilezas estava agindo na hora. Eu devia ignorar essa ideia e praticar de acordo com a palavra de Deus. Lembrei-me de que a palavra de Deus diz: “Quais são os princípios com os quais se pede às pessoas que tratem os outros nas palavras de Deus? Ame o que Deus ama e odeie o que Deus odeia. Esse é o princípio ao qual as pessoas deveriam aderir. Deus ama aqueles que buscam a verdade e são capazes de seguir Sua vontade; essas são as pessoas que nós deveríamos amar também. Aquelas que não são capazes de seguir a vontade de Deus, que odeiam e se rebelam contra Deus — essas pessoas são detestadas por Deus, e nós também deveríamos detestá-las. Isso é o que Deus pede ao homem. […] Durante a Era da Graça, o Senhor Jesus disse: ‘Quem é Minha mãe? E quem são Meus irmãos?’, ‘Qualquer que seguir a vontade de Meu Pai que está nos céus, esse é Meu irmão, irmã e mãe’. Essas palavras já existiam lá na Era da Graça, e agora as palavras de Deus são ainda mais claras: ‘Ame o que Deus ama e odeie o que Deus odeia’. Essas palavras vão direto ao ponto, mas em geral as pessoas são incapazes de compreender seu significado verdadeiro(A Palavra, vol. 3: Os discursos de Cristo dos últimos dias, “Só ao conhecer as próprias opiniões erradas pode-se realmente se transformar”). A palavra de Deus deixa isso muito claro: devemos tratar as pessoas com princípios, amar o que Deus ama e odiar o que Deus odeia. Aqueles que buscam e praticam a verdade são nossos irmãos e devem ser tratados com amor. Aqueles que não buscam nem praticam a verdade ou até cometem o mal que interrompe o trabalho da igreja não são irmãos, mas servos de Satanás, pessoas malignas. Eles precisam ser expostos, discernidos e expurgados da igreja. Só isso está de acordo com a intenção de Deus. Depois de entender isso, eu não hesitei. Com os documentos que eu tinha fornecido antes e com a lembrança cuidadosa, eu redigi um relato dos atos malignos dela. Depois de enviar minha resposta, eu me senti em paz e à vontade. Finalmente eu tinha escapado dos constrangimentos do conceito de retribuir gentilezas e meu coração se aliviou.

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